peço licença, obrigada e de nada | Bahia / by Bruna Brandão

roda de capoeira no dia de Iemanjá, Rio Vermelho em Salvador

roda de capoeira no dia de Iemanjá, Rio Vermelho em Salvador

Mais uma vez voltando pra casa com um ciclo ainda aberto. Em alguns dos lugares que passo fica esse convite para continuar ou voltar o quanto antes, aquela certeza de que não é a única vez que vai se pisar ali.
Últimos dias de Salvador, mais de mês na Bahia longe de casa, câmera estragada sem foto pra fazer e me mover. Uma hora o cansaço te pega na viagem e você pensa cada vez mais na sua caminha cheirosa e no feijão com abóbora de terça-feira, rotina faz falta depois passa. Foi nesse dia desanimado que meu caminho cruzou com o de Givaldo, o Mestre Macaco da capoeira de Salvador. Dia arrastado pós almoço ressaqueado, conversa solta, reggae, cravinho e aula de agogô que rendeu até o fim do dia. 
Véspera do dia de Iemanjá, adotada pelo mestre, um dia ao lado da pessoa certa você cumprimenta o pelourinho inteiro. O dedo coçando pra fotografar, mas a cabeça aprendendo que é também um presente conversar sem a câmera. Falo muito isso por aí, tô cada vez mais aprendendo a hora de não fotografar. 
"Amanhã você ta convidada pra tocar na minha festa"
De manhã eu vou até a roda e ele já coloca todas as guias no meu pescoço, mais protegida não tem como.
Pelourinho até o Rio Vermelho, o atabaque de quase dois metros vai com a gente no balaio. O dia é de iemanjá mas o sol e a festa é de carnaval, a avenida tá lotada mas a roda logo se abre e surge capoeirista de todo canto e eu lá toda avoada marcando o som do agogô, que honra. Tem presente que cai no meu colo sem eu nem abrir a porta. Às vezes eu chamo de sorte, mas dessa vez foi muito mais do que isso. Te vejo logo logo Salvador, sei que ainda tem muita coisa pra mim aí!