Dentro da mochilinha guerrilheira / by Bruna Brandão

Mochilinha explorando a Ilha do Marajó, na primeira vez que fui pro Pará.

Mochilinha explorando a Ilha do Marajó, na primeira vez que fui pro Pará.

Esse não é mais um post daqueles fotógrafos maravilhosos que têm viagens e matérias bancadas pela NatGeo, com direito a 3 malas de equipamento, 7 corpos de câmera, assistente, carro 24hrs e guia local. Esse post é pra você que viaja por conta própria pra fotografar e não quer ficar dando aquela pinta de fotógrafo pra ser roubado e nem carregar 10 quilos de equipo nas costas enquanto pega busão pro lado errado.

Sabe quando a gente tá montando aquele mochilão 50L pra viajar durante mais de mês e cada brusinha e par de meia que a gente tem que deixar pra trás dói o coração? Bom, venho lhes dizer que a dor de deixar certas lentes pra trás é muito mais profunda. A não ser que você seja um dos caras ou manas que ainda têm o prazer de serem contratados por grandes agências, ou que faz parte da geração futurística-minimalista mirrorless, prepara o cuore pra sentir muita dor ao selecionar só o mega-necessário dos equipamentos.

Eu lhes apresento minha mochilinha guerrilheira e todo o seu conteúdo. Minha grande companheira e a base de tudo é uma Canon 6D que já tá fazendo aniversário de quatro anos firme e forte.

Xodózinha desde os inícios dos cliques, companheira das bolsinhas tiracolo e trazendo muita felicidade pra quem fotografa à noite, a 50tinha f/1.4 é a primeira a entrar na lista. Levinha, clarinha e multifuncional, essa eu levo pra todo canto.

Segunda da lista tá o meu caso sórdido e romance mais atual 16-35mm f/2.8; essa dessesseistrintaecinco foi paquerada por anooosss e é minha aquisição mais recente. Aquela distorção repuxada que ela tem quando tá no máximo de grande angular me dá até um arrepio na nuca de maravilhosa; essa lente é boa principalmente pra fotografar dentro da casa de alguém, arquitetura/multidão ou também pra fazer aquele retrato mais ozado ambientado num cenário bacana.

Folia do Divino, comunidade Kalunga da Chapada dos Veadeiros. Olha que delícia planejar enquadramentos com a grande angular ♥

Folia do Divino, comunidade Kalunga da Chapada dos Veadeiros. Olha que delícia planejar enquadramentos com a grande angular ♥

Os fotógrafos de rua devem estar admirados achando que eu sempre chego bem perto dos meus temas e fotografados, isso é verdade na maioria das vezes, mas uma lente tele faz falta demais. Apesar de ter a almejada&sexy&hot 70-200mm f/2.8 no meu kit, essa gostosa raramente vem nas viagens comigo pelo simples fato de ser balofa e esparrenta demais. Pesando quase um quilo e meio, esse canhãozinho branco adora chamar atenção onde quer que esteja, e como durante as viagens prezo muito pela camuflagem em espaços públicos, eu sempre acabo deixando ela pra trás. Um regret aqui outro ali, continua sendo uma ótima decisão para minha coluna e segurança. Para alçar maiores distâncias, a tele que costuma me fazer companhia nos rolês na verdade é uma macro 100mm f/2.8, que além de ser maravilhosa pra fotografar gastronomia caso apareça um freela surpresa, faz lindos retratos e ainda alcança aquele miquinho que tiver fazendo graça em cima da árvore.

Outra que tá ficando abandonada pra trás é a 24-105mm (quem mandou ser f/4?). Chegou a hora de ter essa conversa minha querida, mas EU ESTOU TE TROCANDO pela 16-35mm! Infelizmente não sinto mais aquilo tudo que sentia por você. É verdade gente, depois de experimentar os prazeres da grande angular em 16mm e descobrir a beleza da tele/macro f/2.8, minha veinticuatro centicinco anda bem descansada no meu armário de equipamentos. Já considerei dizer adeus definitivamente, mas ela é tão flexível e versátil que tem alguns freelas de evento que eu só levo ela, então estou mantendo-a no meu círculo de amigues.

Quem me conhece ou já analisou meu equipamento alguma vez (alô Lu Garcia!) sabe que eu não sou muito metódica com a limpeza… deve ter areia do deserto do saara e glitter da Gaby Amarantos até hoje nas minhas lentes. Apesar de ser uma negação nesse quesito, recomendaria um kitzinho básico de limpeza pra não deixar sua câmera cheia de presentinhos voláteis e grudentos dos lugares que você passa. Aquelas sedinhas descartáveis ou a bombinha de ar já cumprem a função muito bem.

Para além das lentes, queria deixar também duas dicas que mudaram minha vida. Primeira delas é a alça BlackRapid que deixa a câmera ao lado do corpo como se fosse uma bolsinha transversal. Sempre me incomodou dar rolê pagando de turista japonesa com aquele colarzão canon e a dslr pendurada no meio do peito. Além disso, a câmera muito à mostra deixa a aproximação com possíveis fotografados virar uma coisa bizarra; as pessoas acabam olhando pra câmera antes de olhar pra você e isso acaba deixando as duas partes desconfortáveis. A câmera de lado deixa o ~look fotógrafa~ bem mais discreto e pouco invasivo.

Mochila bem molinha que cabe em qualquer lugar.

Mochila bem molinha que cabe em qualquer lugar.

Ainda prezando pela discrição temos minha mochila preta molinha, que dá pra dobrar dentro do mochilão fazendo pouco volume, é semi-impermeável e não fica parecendo aquela mega lancheira térmica toda armada igual as mochilas especiais para equipamentos. A única fininha que achei que aguentava o peso sendo resistente e impermeável era da marca Quicksilver. A logo deles é bem feia e parece que eu sou uma skatista sendo patrocinada para ir à Califórnia, então minha saída foi costurar uns patchezinhos tilelês pra me sentir mais neutra rs. Claro que não tem proteção nenhuma contra impactos, mas daí já recomendo fazer um seguro para roubo e quedas em vez de ficar pra sempre andando igual uma tartaruga com aquelas mochilonas de câmera. E dica: quando sua câmera for cair, provavelmente ela não vai estar dentro da mochila haha.

Qual a hora certa de fotografar e qual a hora de apenas viver o que tá rolando? Uma coisa exclui a outra? Eu não me arrependo nem um pouco de ter feito essa foto e guardo esse momento com mais carinho ainda ♥

Qual a hora certa de fotografar e qual a hora de apenas viver o que tá rolando? Uma coisa exclui a outra? Eu não me arrependo nem um pouco de ter feito essa foto e guardo esse momento com mais carinho ainda ♥

Retrato pós-corte de cabelo e pós dividir um daqueles romãs gigantões que a gente encontra no Marrocos.

Retrato pós-corte de cabelo e pós dividir um daqueles romãs gigantões que a gente encontra no Marrocos.

Bom, o post começou com um pouco de recalque, por que realmente seria um sonho ter o equipamento certo para a situação fotográfica exata que você encontra, mas a grande verdade é que tô tentando cada vez mais viver minhas viagens com olhos não-fotográficos. Já comentei em outros posts que saber quando não fotografar está sendo meu maior aprendizado nos últimos meses, a vida é longa e temos muita coisa especial pra ver e sentir por aí! Mas não preciso nem dizer o tanto que as fotos são importantes para compor essas lembranças sensoriais de lugares incríveis que a gente vai caindo pelo mundo, o grande segredo que tô buscando é esse equilíbrio entre os dois extremos para que a minha fotografia seja cada vez mais densa e significativa pra mim, pro fotografado, e pra quem vê a foto depois :)

E ai, o que você leva na sua mochilinha quando tá viajando? Conta aqui também!