Dentro da mochilinha guerrilheira by Bruna Brandão

Esse não é mais um post daqueles fotógrafos maravilhosos que têm viagens e matérias bancadas pela NatGeo, com direito a 3 malas de equipamento, 7 corpos de câmera, assistente, carro 24hrs e guia local. Esse post é pra você que viaja por conta própria pra fotografar e não quer ficar dando aquela pinta de fotógrafo pra ser roubado e nem carregar 10 quilos de equipo nas costas enquanto pega busão pro lado errado.

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peço licença, obrigada e de nada | Bahia by Bruna Brandão

roda de capoeira no dia de Iemanjá, Rio Vermelho em Salvador

roda de capoeira no dia de Iemanjá, Rio Vermelho em Salvador

Mais uma vez voltando pra casa com um ciclo ainda aberto. Em alguns dos lugares que passo fica esse convite para continuar ou voltar o quanto antes, aquela certeza de que não é a única vez que vai se pisar ali.
Últimos dias de Salvador, mais de mês na Bahia longe de casa, câmera estragada sem foto pra fazer e me mover. Uma hora o cansaço te pega na viagem e você pensa cada vez mais na sua caminha cheirosa e no feijão com abóbora de terça-feira, rotina faz falta depois passa. Foi nesse dia desanimado que meu caminho cruzou com o de Givaldo, o Mestre Macaco da capoeira de Salvador. Dia arrastado pós almoço ressaqueado, conversa solta, reggae, cravinho e aula de agogô que rendeu até o fim do dia. 
Véspera do dia de Iemanjá, adotada pelo mestre, um dia ao lado da pessoa certa você cumprimenta o pelourinho inteiro. O dedo coçando pra fotografar, mas a cabeça aprendendo que é também um presente conversar sem a câmera. Falo muito isso por aí, tô cada vez mais aprendendo a hora de não fotografar. 
"Amanhã você ta convidada pra tocar na minha festa"
De manhã eu vou até a roda e ele já coloca todas as guias no meu pescoço, mais protegida não tem como.
Pelourinho até o Rio Vermelho, o atabaque de quase dois metros vai com a gente no balaio. O dia é de iemanjá mas o sol e a festa é de carnaval, a avenida tá lotada mas a roda logo se abre e surge capoeirista de todo canto e eu lá toda avoada marcando o som do agogô, que honra. Tem presente que cai no meu colo sem eu nem abrir a porta. Às vezes eu chamo de sorte, mas dessa vez foi muito mais do que isso. Te vejo logo logo Salvador, sei que ainda tem muita coisa pra mim aí!

 

Guia de aparelhagens de tecnobrega em Belém by Bruna Brandão

Depois de muito perrengue pesquisando festa nas deepweb paraense, ou perguntando no boca a boca ali no ver o peso mesmo qual seria a folia da noite, pedindo dica pra todo taxista que rola e mandando vários zaps pros migo DJ, resolvi compartilhar com vocês um guia das principais aparelhagens de tecnobrega em Belém!

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É sempre pouco tempo pra Belém by Bruna Brandão

Escrever aqui vai ser mais dificil e atrasado do que imaginava! Quando tem tanta coisa acontecendo a ultima coisa que você quer é sentar pra escrever, mas espero contar um pouco através de fotos também, que é um role que sou melhorzinha.

Bike som de brega no Ver-o-Peso

Bike som de brega no Ver-o-Peso

Pisei em Belém animada, BH tá tão quente que o clima aqui ta até agradável, não teve aquele choque bafônico que rolou das outras vezes. Trouxe na mala alguns freelas ainda pra entregar e alguns orçamentos pra encaminhar (very busy important woman). O quarto que arrumaram pra mim aqui é grande e delícia, deu até pra montar um escritóriozinho pra resolver as tretas, descarregar material e escrever, além disso é perto de tudo e fica a um quarteirão de um x-egg-charque pós-balada que é maravilhoso!
Daí, quando o povo vem me dizer que sou sortuda eu não acredito…Já vim com a exposição do Luiz Braga na cabeça e no coração, mas pra melhorar fico sabendo em cima da hora que nesse exato dia que coloquei os pézinhos na cidade ia ter bate-papo com o Luiz e o Alexandre Sequeira para a apresentar a exposição e contar as histórias daqueles retratos, técnicas e tudo mais. A Retumbante Natureza Humanizada tá no Museu do Estado do Pará até o dia 17 de novembro, e é uma coletânea com mais de 100 fotos inéditas do Luiz, e pasmem, muito trabalho maravilhoso em p&b apesar de ser referência da fotografia em cor. Curadoria do Diógenes Moura que cavucou muito ouro escondido nos trabalhos do Luiz, várias salas dentro do museu que é um prédião antigo em frente à praça do relógio na cidade velha, alguns minutinhos do ver-o-peso ali. Para melhorar, dias depois abriram uma convocatória para leitura de portfólio e eu fui uma das selecionadas pra mostrar o Terremoto Sonoro, que também foi projetado depois lá no museu com outros trabalhos fodas. Uma grande aula sobre cor e centro da imagem, elogios sobre a necessidade desse registro e sobre como meu anjo da guarda está tendo trabalho pra cuidar de mim sozinha em algumas das aparelhagens que podem ser um pouco treta.A fotografia pulsa em Belém mais do que a gente imagina, da última vez tinha tentado conhecer a sede da Fotoativa mas eles estavam em reforma, acabei vivendo meu março inteiro só pras aparelhagens mesmo. Dessa vez agora eu tô trombando os fotógrafos na rua, rendendo conversas ótimas e conhecendo uma galera que também pesquisa o brega, tá um mar de referências e papo bom! E pra quem não conhece, a Fotoativa é uma associação de fotógrafos aqui em Belém que exista há mais de 20 anos, fica num prédio lindo por perto do comércio e o mercado, sempre te exposição, curso e papo por lá, é só ficar ligado no site deles http://www.fotoativa.org.br/. Acho que dessa vez, apesar de pouco tempo, a ideia é ter um ritmo diferente, mais soltinho mais brunão, o que rolar de bom eu tô indo. Tá tendo também o Se Rasgum na cidade, muito papo bom sobre música, documentário, jornalismo musical e imagem, além dos shows, tá bem massa e condizente com o que me trouxe aqui pra Belém desde a primeira vez.

Retumbante Natureza Humanizada de Luiz Braga no Museu do Estado do Pará 

Retumbante Natureza Humanizada de Luiz Braga no Museu do Estado do Pará 

 Pois então, segundo dia de Belém foi dia de trabalho :) Desde BH já tinha fechado para fotografar um casamento aqui, um civil entre um belenense e uma fortalezense (sim, é esse o nome mesmo). Começamos de tarde com as maravilhosas da família se arrumando e clima bom, foi realmente muito gostoso de fazer as fotos. Mais gostoso ainda foi o beijinho recheado de cupuaçu que elas me ofereciam toda hora, que depois de um tempo já tinha tomado liberdade de eu mesmo pegar lá na caixinha e me deliciar toda hora entre os cliques e os bate papo da arrumação. Como era uma cerimônia civil e boa parte da familia é de Fortaleza, a comemoração foi pequetita na cidade velha de Belém. Cerimônia pequena é alegria pros fotógrafos e cerimoniais. Astral ótimo e festa lindona, fotografar casamento em Belém é ver as vózinha abrindo roda de carimbó no salão <3


Depois de um bom descanso, dia de acordar e matar saudade do veropa, o Mercado Ver-o-Peso que eu arrisco dizer que é um dos mais maravilhosos que já fui na vida. Da última vez eu tava indo de lei no Box da Lúcia, realmente é um dos melhores pra se almoçar, mas pode ser concorrido no fim de semana. Se é daqueles fins de semana que cê abraçou a cama e foda-se tipo eu, vai chegar lá e ganhar um “so sorry acabou o rango” lá pelas duas da tarde. Dessa vez foi tudo bem, tava sem pressa e com fome brotando ainda, uma chuvinha leve descia e evaporava antes de bater no chão. Sentei num box que tem o criativo nome de “3” e pedi aquela cerpinha ostentação pra abrir o apetite. Dourada ou pescada com açaí, pra quem está se inciando nesse vício do peixe com açaí não custa dar uma de turistona e “perguntar qual o procedimento”. É que a forma de comer é bem diferente, é quase um malabarismo, e tudo que você sabia de açaí antes não vale nessas terras aqui (eles vão falar que você não sabe de nada e é verdade!). Em uma primeira parte você come normalmente, sim, corta o peixinho bota o arroz o vinagrete farofa quem sabe até aquele macarrão que vem abrilhantando; montou tudo no garfo sobe pra boca e daí AGORA sim, agora que tudo muda, segura a mastigação, espero que você não tenha enchido muito o garfo porque agora é a vez de pegar a colher e mergulhar na tigela de açaí geladin com farinha e trazer ela pra boca se dando aí o encontro de sabores, a loucura desse pará que e aquele rango lindo de peixe sem espinhos com o açaí, que é o açaí puro mesmo, paraense; e não aquela “vitamina batida de açaí doce” que a gente toma por aí nos belorizonte. Vai na fé filho, em algumas comilanças você provavelmente vai estar como eu pensando em despachar isoporzinho de açaí com peixe no avião. No dia que a carteira estiver mais gordinha, não deixe de ir ao Point do Açaí, apesar do nome de açaí de esquina da faculdade, na verdade é um dos restaurantes referência daqui, com o açaí mais thick and juicy que você vai provar na vida. Depois vou mandar um guia roliço aqui no blog pra contar mais sobre como eu engordo feliz toda vez que venho pra Belém.
Conversa sobre brega ia rolar num point da cidade velha, eu já tinha até ouvido falar desse lugar outras vezes mas a fissura tecnobregância não me tinha deixado ir. Casa Velha é uma portinha ali pela cidade velha de Belém, pra quem é de BH o role parece muito com a Casinha lá do Barro Preto. É praticamente entrar na casa de alguém que vai ta tocando um som bem massa com uma galera gente boa e aquela cerveja barata pra entrosar. E nesse dia o som bem massa tava pra mim, brega com o DJ Zek picoteiro, recomendo dar um play no soundcloud dele: https://soundcloud.com/zekpicoteiro

Tecnobreguância rolando solta toda noite, colei em algumas aparelhagens pequenas, na Carroça da Saudade que era loca pra conhecer, Crocodilo é o que mais tá tendo por ai com bastante folia boa. Deu até pra colar com o MC Guimê + Crocodilo, curto demais o guimê haha. Um dia de role com o querido Maderito da Gang do Eletro também, sempre bom pra atualizar o que ta rolando e o que ta mudando na cena das aparelhagens.

Segunda-feira foi dia de Combu, uma ilhazinha à uns 10 minutos de Belém, lugar ótimo pra comer, dar um mergulho e tomar cerveja, tudo isso ao mesmo tempo. Pra chegar lá é só pegar o barquinho que sai da praça Princesa Isabel no Condor, do lado do Palácio dos Bares. No meio da curtição conhecemos três maravilhosas de Belém que estavam ali com o mesmo objetivo que a gente, encher a cara e boiar no rio. Uma delas, a Ney, mora na frança e tava sendo lindo ver ela passando bem horrores de tar de volta ao Pará, feliz com as pessoas, a comida e a música. Pra minha surpresa, depois dali a migas iam curtir o Pop Saudade, justamente a aparelhagem de segunda que estava procurando cia pra ir e fotografar um pouco. O Palácio dos Bares é um lugar histórico na boemia de Belém bem na beira do rio, que tem muito a ver com os primeiros momentos do tecnobrega lá pros anos 80. Foi maravilhoso também ouvir a Ney contando que foi lá que ela deu seu primeiro beijo haha ouvimos a história com detalhes.

Rango amazônico lindo na Ilha do Combu

Rango amazônico lindo na Ilha do Combu

Baldinho de cerveja a 9,99 não para a de descer e o pop saudade passou por muito brega antigo, salsa, merengue e outros ritmos que são coisas de caribe. Essas origens do brega que sobem a América Latina começaram a fazer mais sentido pra mim nessa noite. Muito casal lindo dançando, mas um senhor meio mal encarado com a mão enfaixada e sua moça  foi o casal mais caliente que já vi nessas terras do norte. A mão enfaixada ia descendo e subindo o corpo dela e eles dançando aquele passo bem pequenininhocoladinhoencaixadinho respirando em sintonia eitaaaa! Infelizmente as fotos que fiz não condizem com a sedução que estava no ar nesse momento, mas admito que estava um pouco hipnotizada/babando com essa sintonia dirty dancing imaginando um amante bregueiro pra chamar de meu. Festa foi esvaziando e eu caçei meu rumo por que ainda tava de biquini molhado da tarde de boiadeira no rio.

Últimos dias em Belém já tarra ficando chateada, parece que as melhores aparelhagens vão aparecendo bem quando não vou estar por lá. Já vai me dando um baixo astral, apesar que o próximo rumo é o paraíso de Alter do Chão, mas que sei que não vai ter a vibe tecnobregafolia de Belém. Peguei esses últimos dias pra conhecer alguns estúdios caseiros, as músicas mais bombantes das aparelhagens são produzidas num quartinho residencial mesmo, geralmente equipado com um computador, microfone, teclado e muito brega na veia. Sempre fui doida pra conhecer a DJ Méury, ela é a mulher mais referência foda atual das produções de música das aparelhagens e responsável pelo hit Boquinha do Animal da aparelhagem do crocodilo junto com o MC Dourado. Além de conhecer a casa-estúdio dela em Ananindeua, toda maravilhosa monochrome em rosa, ainda rolou um papo legal sobre tecnofunk e machismo nas aparelhagens. U go gurrl! Depois ainda nos reencontramos no barco pra Santarém, daí pude conhecer o Dourado também eles estavam indo fazer um show no Marajó, tietei eles com uma foto orrorozaaa  de flash de iphone borrado.

Estúdio caseiro da DJ Méury em Ananindeua.

Estúdio caseiro da DJ Méury em Ananindeua.

Começou daí a aventura de três dias navegando pelo rio amazonas rumo a Santarém que logo mais conto com detalhes.

Estou preparando os próximos textos que logo mais estarão por aqui: guia de aparelhagens de tecnobrega e guia roliço de Belém.

Leva um caderninho dessa vez! by Bruna Brandão

Bom, chegou essa hora. Depois de um tempo gestando várias histórias e sem muito lugar pra escoar tanta conversa além das mesas de buteco, inauguro hoje esse espacinho do meu site chamado blog. Sem muita vocação pra ser blogayra & escrivã, mas com muita vocação pra dar rolê, conhecer gente e gastar as míseras economias em passagens de avião, balofagens e álcool, começo aqui compartilhando as histórias para além das imagens que me encontram por aí.

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